Showing posts with label Coisas. Show all posts
Showing posts with label Coisas. Show all posts

Jul 24, 2008

Um conto pode ser um conto?

Polegarzinho foi e eu com ele.
Por quartos de chão de madeira, em danças complexas e estudadas.
As portas abriam-se para nós de par em par e ao fundo, um espelho.
Eu era a miúda que estendia os braços e a cabeça pendente era olhos semi-cerrados e boca entreaberta. A túnica branca era como uma segunda pele e eu rodopiava automaticamente sobre os meus próprios pés em ponta.
Polegarzinho sorriu e eu com ele.
Como se um contentamento maior viesse de dentro e explodisse em mil fogos de artifício através de todos os órgãos dos nossos corpos. Se eu tinha mãos, se eu tinha pés, não o sabia, o movimento era como um respirar de qualquer coisa maior, eu as narinas e tremia o ar passava por mim eu era o ar eu respirava-me.
Polegarzinho caíu e eu com ele.
O chão não era coisa que nos parásse. Escavámos um buraco milimetricamente pensado, as minhas unhas de terra eu terra terra na boca da cara de mim. A terra húmida era um conforto para o meu corpo cansado. Descansei na terra húmida como um último sono.
Polegarzinho foi e eu com ele.
Na terra, ficou o corpo inerte.

May 30, 2008

Dulcineia

fazem-me falta: as conversas, os risos, a vida.

(se eu começar a gostar do que faço das 9h às qualquer coisa, tornar-me-ei uma pessoa aborrecida?)

(se eu mantiver uma professora de espanhol de cabelos coloridos e roupa gritante,
estarei salva?)

gostava de saber o que me espera: esse futuro,
se eu aperfeiçoasse o que serei
assim
seria

mais ainda

Existe uma palavra.
Existe uma palavra que me vem prendendo nas suas letras.
Existe uma palavra que me vem prendendo nas suas letras, e eu não consigo libertar-me.

--------

This must be an experimental blog.

Experimental.

May 27, 2008

Shirk it


Se fosses tão bonita...
Mas olha que desastre!, e ainda se conseguisses voltar as costas...
Mas olha que susceptível!, e ainda se conseguisses ser mais tu...
Mas olha que outra!, e ainda...

Uma questão de gosto...


...mas eu não tenho gosto.

Churn


O tempo passa como se nunca fosse parar, e é verdade. À velocidade da luz, e nem temos tempo para tropeçar nos próprios pés. Contudo, comemos, bebemos, dormimos. Mas o tempo passa e há sonhos estranhos como defeitos não especificados em letras de computador. Se fosse só isso... Mas há outras vozes e outras
Não sei bem a confusão na minha cabeça
se desgosto ou apenas preguiça uma preguiça mental pegajosa e contagiante
talvez seja outra coisa
não me perguntem a mim, eu não sei

May 24, 2008

Coisas do passado e do futuro (presente)


Quando éramos pequenos,

e tu lançavas o mote,

e eu respondia

(e outras pessoas respondiam).

Quando éramos pequenos, sabias falar e falavas. Reflectias. Imaginavas. Criavas. Dissertavas. Especulavas. Etc.. E agora? Ter-te-ei sugado a imaginação? O espírito criador (tivo)? Fui eu a culpada pelo silêncio das palavras (mortas)? Limpa o pó dos cantos da casa, tu não és uma língua morta. Vamos (re)decorar a nossa casa e ser brilhantes outra vez. Eu também sabia falar e agora fico calada. Tu davas-me a soltura necessária. Ou talvez fosse eu. Mas não importa, com as teias de aranha arrumadas do outro lado da janela (do lado de fora), jorram-se-me as palavras pelos cantos da boca comprimida, e não haverá mais silêncio entre nós.

May 11, 2008

Bob said ' ', and he meant it

Enquanto ensaias o discurso para um padre que ainda não existe, a água escorre-te pelo corpo, sossegando todos os poros; o teu coração bate mais suavemente. O teu coração, que agora incha, 5 vezes maior, como se fosses uma jovem pitão que acaba de comer um elefante bebé.

Não seria bom? Só precisar de correr riscos uma ou duas vezes por ano?

Mas eu trabalharei mais.

Se eu comesse o teu cabelo, se eu me chegasse ao pé de ti e pusesse o teu cabelo na minha boca, se eu mastigasse o teu cabelo como palha seca; um potro cambaleante a aprender a andar.

Mas não faz mal; deixa estar; tudo passa.

Esses pensamentos inspirados, como se realmente tivesses saúde e força, como se realmente tivesses vontade e poder de concretização; esses pensamentos negros, como se realmente tivesses dores e fosses morrer, como se realmente tivesses desanimado e desistido; que vão, que vêm, que vêm e vão e que vêem o teu interior, e que vêem mesmo para além disso, o interior de todos os interiores do interior do teu seres humana.

O teu braço esticado, é maior, contudo, as estrelas mais distantes; as tuas pernas compridas, maiores, contudo a margem do outro lado tão longe. E não consegues ver o outro continente para além do mar. O teu pé, forte e estável - mas o chão baloiçando gentilmente à tua volta.

E não faz mal, porque tudo passa.

Um dia és e o outro dia vem já aí.

Mar 31, 2008

Gostava de ser psicadélica.

Mar 21, 2008

O desespero vem, às vezes, de repente, vem de dentro e explode em mil bocados mesmo à nossa frente.

Eu sou uma optimista, claro e apesar de tudo. E, contudo... há desesperos peçonhentos como lesmas vagarosas no seu caminho. Agarram-te assim de garras fincadas (as lesmas têm garras?) e, sem querer, não sabes onde estás, não sabes quem és.

É preciso respirar fundo. Afastar o medo como migalhas sacudidas daquela toalha de consoada. Vamos ser nós, apesar deles. Vamos ser nós, vamos nunca deixar de ser nós por causa deles. Porque têm eles de comandar a nossa vida?

Feb 13, 2008

Well, may you laugh

Olho para essas caras. Estranhas.
Mas que raio de língua estão a falar?!
Ah, sim.
Há uma distância monstruosa entre mim e eles.
E não é do meu vestido de veludo vermelho com alças demasiado grandes, nem do risco nos olhos mal feito e esborratado.
É algo muito mais profundo.
Elas, tão adultas no seu à-vontade em qualquer tema mundano.
Eles, verdadeiros homens, a conduzir a conversa.
Eu não sei se sou eu que me afasto das pessoas ou se o afastamento era já fatal.
Mas sei que não posso manter esta i(nsani)dade mental por muito mais tempo.

Jan 16, 2008

Às vezes(,) sonho(s)

'That's a spleen m'lad!'

Oct 22, 2007

Coisas que se passam na minha cabeça I

(...)

Sonho de 16/03/07

Sonhei que havia raides aéreos, com a sirene e tudo. Havia gaivotas que se aninhavam com muito peixe nas nossas sanitas. Não me lembro bem, mas penso que o Zé estava a perguntar à Mãe onde estava o cd do Joe Dassin e eu disse que eu é que tinha.

(...)

Sonho de 12/05/07

Um avião atingia a nossa casa porque não tinha conseguido descolar bem. Eu via o avião mas não podia crer que fosse bater (bateu de trás, como se estivesse a fazer marcha-atrás). Ninguém morreu, mas ficou um grande buraco na casa.

(...)

Sonho de ?/08/07

Sonhei que ia a um hospital com a minha mãe, acho que o Pedro também lá estava e outras pessoas. Uma miúda/rapariga/mulher era maluca e perguntava-nos aos gritos se tínhamos visto o avô dela, seguindo-nos para todo o lado. Eu lembrava-me vagamente das palavras que ela cantarolava a certa altura. Depois começou a tocar-nos e entretanto chegou um homem com uma criança ao colo e a mulher louca mandou-o ao chão e depois apercebi-me que ele era o Frasier (mas não me lembrava do nome dele) e disse “Você é o...” e depois ele disse que o que a miúda estava a cantarolar era de um programa dele e eu disse “Então se calhar você é que é o avô dela”.
Depois, outra cena, mas o mesmo sonho, vi o Clint Eastwood, como realizador, sentado numa cadeira. Ele não se precisava de mexer e ia passando de uma cadeira para outra como num tapete de uma linha de montagem até chegar a um sítio onde estavam outras pessoas sentadas, entre as quais eu, e outras pessoas conhecidas. Algumas pessoas sangravam, uma da cara e outra das axilas.

Infarctus-tus-tus

Hoje, como todos os dias, tive a oportunidade de ser , e agarrei-a.

e - conjunção coordenativa copulativa

--

!. Lavar as mãos
". Comer
#. Beber
$. Dormir

Quando iremos comer?
Iremos comer depois de lavar(mos) as mãos.

Etc., etc., etc. e estou demasiado cansada para escrever mais!

Oct 21, 2007

Fernando a Ofélia:

"Não me conformo com a ideia de escrever; queria falar-te, ter-te sempre ao pé de mim, não ser necessário mandar-te cartas. As cartas são sinais de separação - sinais, pelo menos, da necessidade de as escrevermos, de que estamos afastados."

Eu também quero ter-te sempre ao pé de mim.
Entretanto, estive a ler as tuas cartas, e apeteceu-me rir e chorar ao mesmo tempo.
Havia, nessa altura (das cartas), uma certa inocência no nosso amor, como quem pensa que nada pode correr mal quando nos amamos verdadeiramente. Contudo, o amor verdadeiro não garante que não surjam problemas. Garante, sim, que temos força para os resolver.
(juntos)

E, assim, porque me apetece dizê-lo,

amo-te. Assim muito, muito.

Oct 16, 2007

Ainda por cima tu, ainda por cima tu estás apaixonada, podes dar a música outro sentimento...!

Não tenho lá muita jeito (gente) para coisa alguma.

Aquele cansaço cansaço cansaço que faz chorar (outra vez e outra)

Mas a culpa não é do cansaço. Que mentirosa... Que cobarde...

A culpa é do egoísmo. Que egoísta... Sim, depois chora, estás a chorar por quem? Não é por ele, é por ti, outra vez, outra vez. Se tens pena, se realmente te preocupas,...

Mas é tudo um chorrilho de menti i i i ras. Quando te bamboleias por essas ruas desertas de noite escura e finges ser essa pessoa

segura

quando finges ser

alguém

quando finges.

Eu quero várias coisas. Mas uma delas, uma muito importante: não quero ter medo, não quero ter medo, nunca mais.

Claro que não era nada disto que eu queria dizer, queria dizer coisas concretas como carne ossos pés mãos pessoas velhinhas, velhinhas, velhinhas... Queria chorar e essas coisas, mas às vezes não posso, não podes, não podemos.

As pessoas morrem, todos morrem, hoje morrem, amanhã morrem, morrem, morrem sempre.
As pessoas morrem, morrem, morrem, morrem, morrem, morrem, morrem

Quero salvar as pessoas que morrem, não quero que as pessoas morram, não quero que morram hoje, nem amanhã, nem depois, nem depois de depois de depois de depois

Mas as pessoas continuam a morrer, e a culpa é minha, porque não é só dizer que quero salvá-las é preciso salvá-las, é preciso salvar as pessoas, senão elas morrem, morrem nos teus braços, morrem à tua frente, elas morrem do outro lado da linha, elas morrem na rua, elas morrem durante o sono, elas morrem com a cabeça no teu ombro.

É preciso salvar as pessoas
Hoje
Amanhã

Amanhã vai ser melhor
E depois de amanhã ligo-te outra vez
E na sexta também
E tu vais estar melhor, vais ser tu outra vez, não vais ter medo, não vais ter medo desses pesadelos, não te vais queixar dos hospitais, vais dizer-me que giro é o ângulo e que bolas, carvão e petróleo e vais dizer-me que és cliente ... e que são sempre muito simpáticos e vais ser tu outra vez e eu vou ser eu e tu tu eu eu tu eu tu
Vou salvar-te, vou salvar-te, não estou em Inglaterra, estou aqui, não há desculpas e eu vou salvar-te.

Não te preocupes, eu vou salvar-te e tu não vais morrer nunca.

Sep 4, 2007

Introdução

De há uns dias para cá, um pensamento tem vindo a insinuar-se no meu cérebro, como um bicho serpeante. E acompanha-me no caminho a casa, entre os sons da rabeca e da pandeireta, serpenteia entre as colcheias ondulantes, e aponta ao meu cérebro.

(Se não houvesse essa coisa de regras, etc., eu batia com os pés no chão e saltava, arqueava os braços e baloiçava a cabeça e assobiava quando não estivesse a cantar.)

:

O meu coração é como uma borboleta palpitante.
Tum tum flap flap
Bate as asas numa cadência amorosa.
Uma borboleta amarela.
É pequenina e frágil, a borboleta.
Tem sangue nas escamas das asas e é feliz.

Aug 30, 2007

Quero ser como uma sala fechada. Mas uma janela. Tu acenas do outro lado da janela. Como não mostro nenhum sinal de reconhecimento, aproximas-te. Esborrachas o nariz na janela, depois as bochechas, depois a boca num beijo obsceno. Os meus olhos são ainda vidro, não guardam nada. Bates levemente no vidro baço (pela tua respiração).


A tua música atravessa-me de repente como uma lufada de ar fresco e eu faço menção de respirar fundo, fecho os olhos, empoleiro-me em bicos dos pés, inclino rapidamente a cabeça para um dos lados.


Mas afinal.

Aug 29, 2007

Into the night

Cordiais.

"Tantas imagens, recordações, experiências que vivi entretanto..."

Anota tudo num bloquinho, filha.

-- pausa --

Minha querida, tu eras uma grande mulher, a mulher. Os teus cabelos volumosos de um negro desafiante, o teu olhar vivo e decidido, as maçãs do rosto bem delineadas e levemente coradas.

Eras uma mulher, a mulher, com todas as linhas do corpo. Que me importa se eras apenas, nessa capa para os outros verem, uma miúda do campo, e que todo o teu mundo fosse o pomar em frente de casa e o caminho para a missa, aos Domingos? Eu via-te com outros olhos.

Ainda vives, ainda respiras esse mesmo ar distante com o teu nariz de Cleópatra, mas vais renascer em mim. Eu sei que sim.

Tu e eu. Desta vez, tu pequenina, eu grande. Tu moldada pelos meus dedos. Talvez te tornes, desta vez verdadeiramente, na tua imagem na minha retina.

Há quantos anos, minha querida? Talvez dez, ou quase. Eu era uma miúda e tu olhaste para mim. Foi então, talvez, que tudo se decidiu.

Sabes, as palavras custam a sair, mas eu tenho que dizê-lo. As palavras saem atabalhoadas, cruas, sem harmonia. Mas, minha querida, como podia deixar de dizê-lo?

---------------------------------------------------------

Não vou morrer diluída nesse nascimento de outras coisas. Não, não vou morrer.

- ...
- Porque não quero.

A minha cabeça está cheia de sonhos com Clint Eastwood (realizador) com sangue (vermelho) com mulheres loucas em corredores de hospitais (pousadas da juventude?)

Está cheia de coisas cheias e redondas cheias cheias enjoativas inflamadas

Mas há músicas que acalmam essa dor, esse enjoo.

Aug 20, 2007

Chama-me Tolerância.


Caution: the following may contain dangerous subtypes of concealed iron-y (irony).







Pessoas que se lameeeentam... aiaiaiaiiii gemidos gemidos queixumes



Como se, como se...



Todos os olhos postos nelas, oh sim sim, de que mal padece? oh sim sim, tem toda a razão.



Pessoas que dizem tu sim alto bonito forte, e olha para mim coiiiitadinhaaaa, ah, mas não olhes para mim, não não, não estou a dizer isto para chamar a atenção, é só porque sou terrível, olha que feia e estúpida...!



Arrepios, arrepios!



Eu não quero esses lamentos



(mas mas mas (tremores) não estou a falar de mim mesma, pois não?)



não quero



sacode, sacode do ombro

tss tss vup vup

que caspa mais pegajosa



hoje é daqueles dias, e eu não quero saber

pensem monstruosidades! tanto se me dá!


se tivesse aqui esse prato, esse bocado de porcelana, sim, estaria partido

se tivesse aqui essas cartas todas,

e tudo aquilo que recebeste

tudo o que é bom e bonito


e depois? e se me apetecer?




-----------------------------------------------------------





Revolucionárias, e gostam, gostam de dizer sim sou assim e tu tens alguma coisa contra isso?

mas claro que ninguém tem nada contra, porque todos querem ser assim ...today

desafiar regras e convenções? ahah, que regras, que convenções?


E se eu QUISER seguir as regras? e estou-me bem nas tintas para o que possam dizer

ah e tal que careta ou isto e aquilo

porque está in ser-se contra isto e a favor daquilo e usar uma estrela no ombro esquerdo...

o que quer o meu cérebro saber disso?


revolucionarizem-se!


eu cá faço o que quero.



------------------------------------------------------------



É um egoísmo, uma coisa medonha


E eu sei, eu sei, eu sei e insisto e persisto resisto
(não, não, não estou a chorar)








cresci para fora da casa, um braço pela janela, um pé na chaminé e nem sequer esse coelho medroso para me "apedrejar" de bolos.


nem sequer esse coelho!

(como se importasse)


----------------------------------------------------------------------


tempo mau vento chuva

estou um bocado maldisposta e não sei bem se é

de saber que mesmo as pessoas fortes não deixam de ser pessoas

que há coisas inompreensíveis

como doenças estúpidas

como

outras coisas

estúpidas


ou se calhar estou só cansada

(não, estou mesmo maldisposta, maldisposta de água quase)


não gosto de ser assim às vezes

E não sou sempre assim

mas às vezes


------------------------------------------------


Afinal também sou pessoas irritantes. Às vezes.