Jun 26, 2007

Ahora, algo totalmente diferente



¡Visitenlo!

Jueves: EXAMEN

Sí, es verdad, el Jueves tengo el exame de español, así que los próximos posts serán en español (¡tengo que practicar!)

Y por ahora es todo, que estoy sin imaginación (y probablemente sin vocabulario)...

Hasta luego :)

Jun 25, 2007

Tal como a Comrade Of The Nine dos Darryl Way's Wolf tem o melhor tuturururu da história da música (sou uma exagerada, so sue me :)), a L'auberge dos Groupe Sans Gain tem o melhor dibidi bidibidam :D

Sons da minha infância

Não sei o que me ia na cabeça quando cantava, provavelmente com vários erros de pronunciação, Le fou du Roi est amoureux/de la Princesse Natacha (só mesmo estes dois versos, porque o resto era uma salganhada com pronúncia afectada). Tinha 7 anos, o álbum acabado de sair, e ia no carro com o meu pai e a minha irmã, de manhã cedo, para o colégio, depois de um fim-de-semana a três.
Não sei o que me ia na cabeça, e não posso perguntar a ninguém, essa Catarina já cá não está. Mas sei que essas horas (mesmo que o sono nos pesasse ainda um pouco sobre as pálpebras) eram horas felizes. Íamos os três, cedo, o trânsito horroroso (vínhamos de Oeiras...), mas nós queríamos lá saber, Faixa 13 Qu'Importe, e lá íamos nós, a cantar, cada um à sua maneira, mas os três igualmente felizes.
Que saudades desse carro, dessa estrada, desse estado de espírito.

Jun 24, 2007

Não fui ao Santo António, mas andei à marretada este fim-de-semana.

Jun 18, 2007

Cinco Moscas Azuis

Os livros de Carmen Posadas até podem ser "literatura" light - nada que chega, obviamente, aos calcanhares de uma Margarida Rebelo Pinto, nem de longe nem de perto - mas, não sei se é do género meio policial, ou mesmo da maneira como conta as coisas, eles são, pelo menos, divertidos.

Jun 17, 2007

Yo odio eses trenes

A esta hora estás tu, sentado pacientemente num desses bancos velhos de intercidades, roaming entre músicas tuas, e a pensar em... Não vou fingir que posso adivinhar aquilo em que pensas, no regresso. Vais "no sentido da marcha", ou talvez não, agora não me lembro, sei que vais "do lado direito", porque vais sempre desse lado e que esse lado está longe de mim, de pé na plataforma, a lançar beijos que colidem com os que tu lanças para mim.
Sim, demos os nossos beijinhos, e os nossos abraços, e as pessoas olharam para nós, com uma pontinha de inveja saudável, da nossa felicidade, da nossa juventude, do nosso amor. Mas sabe sempre a tão pouco.
Já tenho saudades tuas...

Jun 14, 2007

P. S.:

Há bocado esqueci-me do medo.

Jun 13, 2007

(too lazy para pôr os espaços correctos no post anterior)

Outra coisa que gostava de saber:

fazer o risco na parte de baixo dos olhos...! Enfim, maquilhar-me em geral...

(lol)

Atrás

Gostava de saber onde guardas esses segredos.
As gavetas que não posso abrir.
(Dizem que a vertigem é a atracção pelo abismo; é o saberes que não deves saltar, mas quereres.)
Esses caminhos proibidos, por onde não posso ir; as cartas que não posso ler; os presentes que não posso ver.
Enfim, as coisas do passado.

Gostava ainda de saber porque é que sou atraída por certos pormenores fúteis, como um determinado ângulo que nos permite ver uma reentrância de onde vem a luz que inunda o quarto
ou
por um canto da imagem, dossiers finos, cor-de-areia, vermelhos.
O que me atrai nessas vidas alheias, como quando era pequena
e gostava de espreitar pelas janelas entreabertas.
Gostava que fosse só isso. Mas sei que não é.
São coisas que não são (...).
Às vezes irrita-me ter sempre que achar estas palavras-(...) mas não posso dizer: Sim,
é verdade, sou uma criança, ainda por cima (...).
E pronto, já disse.
Aquelas sensações/sentimentos horríveis que demasiadas vezes...
(...)
(E depois, claro e sempre, stress, cansaço, cansaço, stress.)
Não somos pessoas más.
(Talvez passe o lápis azul neste post quando estiver mais lúcida)

Jun 12, 2007

Terribly lazzzzy

Jun 10, 2007

But louder sang that ghost

Tédio é ouvires duas pessoas falar na diagonal de coisas herméticas (para ti) - eu penso que o teorema do Raabe-Duhamel não estava no meu top ten de temas para se falar num jantar de anos quando estava a dar isso na faculdade - e teres ao teu lado um rapaz de olhos azuis que também não sabe o que dizer neste cenário. Por outro lado, a pessoa à tua frente está absorvida na conversa com a pessoa ao seu lado direito e tu não podes entender o que dizem (não sabes ainda ler os lábios) porque a conversa hermética flui nessa diagonal separadora, e tu deste lado.

Mas houve conversas interessantes.

Sobre filmes: o Dogville foi, como de costume, vaiado, embora eu e a T. o tenhamos tentado defender (sem qualquer eficácia - a eloquência não foi o meu forte nessa noite); o Donnie Darko também foi vaiado, mas sobre esse não me posso pronunciar; o Mulholland Drive foi também vaiado, mas desta vez com o meu consentimento e apoio (falando de coisas herméticas...).

Sobre metafísica:

Efeito <- Causa <- Efeito <- Causa <- Efeito <- Causa ... ad eternum
Mas qual a causa primeira e porquê?
É verdade que tudo está determinado porque há regras, e as regras não falham?
Que simples, então, viver - não temos qualquer responsabilidade, porque "a culpa é das regras". Porquê castigar uma pessoa que mata outra se ela só podia matá-la, se pensássemos em todas as regras que nos rodeiam e que levam incontornavelmente ao assassino, à vítima? Não aceito um "porque o castigar também é inevitável porque está nas regras".
Essas regras-deuses que só podemos observar ao microscópio. Quem diz que as regras da física/química se reproduzem sem mácula a um grau de complexidade terrivelmente maior? Não é dizer isso também um "salto de fé"? Mas não, não, a fé não pode entrar no vocabulário de certos cientistas, como se estivesse para sempre manchada de uma conotação repressora, enganadora, e outros oras com cara de papões num escuro que é o desconhecido.
Mas sim. Se não podemos saber, é fé. Indução não é fé? Bem, não posso ser completamente radical, mas não podemos dizer que, de facto, algumas induções têm um pouco de fé? E que mal tem isso?

Viagens no tempo, também. Mas aí consegui explicar-me. Porque a diferença essencial entre tempo e espaço, é que a partir deste momento em que escrevo estas linhas não posso voltar ao "lugar" de cinco minutos atrás, porque será irremediavelmente mais tarde. Não digo que se hoje se construísse uma maquineta, ou qualquer coisa assim, à velocidade da luz, ou a uma fracção suficientemente grande dela, não pudesse acontecer visitarem, no futuro, o passado que hoje será então. Mas nós, homens de hoje, estamos "condenados" ao nosso presente e a um futuro, como todos os futuros, incerto. Como todos os futuros? Se há regras que determinam tudo, se está tudo determinado, quando conseguirmos achar essa regra maior, induzindo de todas as regras pequeninas, a nível dos átomos, então veremos claro o nosso futuro desenrolar-se à nossa frente. E tempo e espaço confundir-se-ão e será tudo o mesmo.

'What then?' sang Plato's ghost. 'What then?'*

* W. B. Yeats, What then?

Jun 8, 2007

Crème Brûlée

Eeeew.

Considerações ou assim

ññññññññ

E já repararam que "calaste-te" tem um som de dentes a bater em dentes? (sim, eu sei que é língua, mas a mim soa-me a dentes)

(sem inspiração, etc., etc..)

Jun 5, 2007

Knots (2)

No dia em que tu nasceste, ouviu-se um grito insondável vindo dos confins da terra e as águas de todos os rios pararam momentaneamente como que petrificadas pelo urro bestial.

Quando nasceste, tinhas uns olhos grandes e o teu primeiro pensamento foi "Enfim, livre" e era isso que querias dizer no teu primeiro choro, mas não havia crianças à tua volta para compreender.

No dia em que nasceste, há mais ou menos 26 anos, o meu espírito eterno vagueava aos pés de Deus e Ele apontou para mim e disse apenas "Tu."

4 anos, 2 meses e 12 dias depois, nasci, e as minhas bochechas diziam "Quero ser mimada", mas os meus olhos eram curiosos e os meus dedos rápidos.

Na madrugada do dia seguinte, hora de Portugal, um mosquito picou-te o braço e tu sonhaste com um cão bebé que lambia a cara de uma criança que chorava.

Exactamente 6 meses depois, quando ia no avião para conhecer a minha pátria, tu sentiste os teus ouvidos tapados e bocejaste.


Jun 3, 2007

May 30, 2007

Armadillo?


AS COISAS QUE QUERO FAZER

AS COISAS QUE devo fazer

As coisas que faço.

May 27, 2007

PrincíFim

Dada a parca afluência (0) de e-mails relativos a este "concurso" (talvez não tenham gostado da música escolhida), dou este concurso por encerrado para sempre (lol)

Mas obrigada aos apoios na teoria :P

May 25, 2007

Post recuperado

Este post tinha que ser recuperado.
*

May 23, 2007

Às vezes, quando precisamos, não temos paredes para nos apoiar e mesmo o chão por baixo dos nossos pés parece desaparecer.
Mas são coisas passageiras e eu hoje até sonhei que estava a provar vestidos.

:(

Lá se foi o meu mood...

Auto-retrato


Não me caíu muito bem, o jantar (:P)

May 21, 2007

Há uma vontade que se apodera de mim, quando sou feliz e sei que há um dia marcado em todos os calendários do mundo - ainda que os seus donos não o saibam - que é o dia em que o nosso dia-a-dia em comum começa. Então, sinto-me grande e forte, capaz de concretizar qualquer empresa, levar a bom porto qualquer navio perdido.
Mas mais vezes se me quebra o espírito, falha-me essa vontade, sinto o corpo pesado e mole, incapacitado até para fazer os mais simples gestos humanos. É nestes dias, meu querido, e não tanto naqueles, que a tua voz em sussurros nocturnos é para mim um bálsamo de luz e cor que apazigua o meu espírito cansado.

May 20, 2007

Novidades

O atworkwatermelon (As Meninas) is ON again.

Long live atworkwatermelon!

Cidade

Atravessou o meu caminho como qualquer coisa inevitável.
E, lá, saudade é SAUDADE.
É como se toda a minha vida estivesse à espera deste encontro.
Um reencontro, poderá ser, com alguma coisa, ou alguém, talvez comigo mesma.

May 17, 2007

delete deleTE DELETE !!!

101º Post!

May 16, 2007

Os nossos telejornais são realmente fantásticos.

May 15, 2007

Estava a pensar em fazer um auto-retrato e fez-se luz...

Quem inventou o nome Madragoa devia ter um namorado parecido com o meu.

Tralalala

uhuhuh sting!

chomp chomp ihihih

txuki txukiuuuueeeepá

:)

Uma menina bonita

Friends since Fall 1994
(na fotografia original ela está com aquele sly smile, mas não consegui captá-lo :/)

May 14, 2007


KHAN KHAN (isto é o barulho de um dragão)

FFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFFffffff (isto é ele a lançar chamas)

*fizzle fizzle* (fogo ateado em arbustos e etc.)

RRrroaaAAarrrRR (barulho das chamas quando já estão muito altas)

May 13, 2007

Uma miúda gira


Soundgardenia

(comecei a fazer na esperança que não se visse o desenho do outro lado da página - um tipo com uma boina e barba por fazer a fumar um cigarro - mas, passado três minutos, sai uma soundgardenia, mas o tipo continua lá por trás... too lazy para fazer noutra página)

Oh!

Descobri que já alguém tinha tido a ideia de fazer imagens para uma música... Ainda por cima, exactamente para a música que escolhi!!! Não há direito!
Estava eu à procura da música no youtube (sim, tenho a certeza que há outras maneiras de vos mostrar a música, mas eu sou um bocado preguiçosa) e descobri-a aqui, mas com as tais imagens a descrever a música.. sniff! Para quem quiser participar, oiçam a música, mas não vejo as imagens...! lol

Coisas que nos afagam o ego*

1. Entrei no Lux com um ar andrajoso - mas era mesmo andrajoso, levava uns sapatos rasos que tinham um enfeite que era uma peça de metal em que encaixava uma pedra, um deles já não tem nada e o outro tem só a coisa de metal (o que fica extremamente mal, mas já tentei tirar a peça e não consigo); umas meias verdes; umas calças de ganga preta; uma t-shirt de mangas compridas vermelha (mesmo apenas uma simples t-shirt de mangas compridas vermelha, da salsa) e um casaco branco cheio de borboto e com capuz. Provavelmente a mulher deixou-nos entrar porque estava distraída a cumprimentar os seus amigos com menos um metro de altura que ela e que estavam a passar pela crise da meia-idade (pelo menos, os sapatos amarelos à palhaço - sim, os de circo - mas quadrados à frente pareciam indicá-lo).

2. O Calheiros cumprimentou-me!

Fiquei um bocado maldisposta com a caipirinha, mas valeu a pena pelo que gozámos à custa de algumas pessoas - que má horrorosa, eu sei!, mas provavelmente outras pessoas gozaram à nossa custa, por isso, what the hell...!
Pergunta que não tem nada a ver: alguém sabe os sítios em Lisboa em que se pode beber um Blue Hawaiian ou Blue Lagoon ou lá o que é aquilo? (De qualquer das formas encontrei neste preciso segundo a receita na net por isso para a próxima peço para fazerem)

Bien, assim vos deixo, beijinhos e passarinhos... ah, e não se esqueçam de participar!!

*título para não ser levado a sério

May 12, 2007

Nicole


É saudável admirar, mas não demasiado. Ela, como qualquer mãe, deixou de ser Mãe e não vale a pena escondê-lo. Uma espécie de complexo de Elektra e nós vazios por dentro. Mas não foi ela que nos disse: "Enche-te de mim." E, apesar de ser a melhor do mundo, não foi ela que te disse alguma vez que era melhor que qualquer outra pessoa.

Ou disse?

May 11, 2007

O que é que vocês fazem quando querem exorcizar aquelas coisas que vos incomodam, e que teimam em voltar à vossa cabeça por mais que tentem esquecê-las/relativizá-las?

May 10, 2007

P.S.:

As ilustrações podem ser literais, nonsense, what-say-you...
Podem decidir ilustrar verso a verso, parelha a parelha, estrofe a estrofe, uma só ilustração para a música toda, etc..
Podem também decidir ilustrar apenas uma parte (uma estrofe, etc.).

Sejam criativos e divirtam-se!

May 9, 2007

Nº1

Okay, aqui vai a letra da música:

The Institute Of Mental Health, Peter Hammill

It was the first day of July
no wind breathed in the sky
when a pin-striped suit
saw that the Institute
of Mental Health was burning.

He stood upon the corner
where the sun was warmer...
looking across the street,
he moved the shackles on his feet
as the Institute was burning.

Flames were roaring, singing like a thunderstorm;
smoke was pouring straight up to the sky;
windows smashing, Gothic doors and lintels fall;
timbers crashing and we both know why.

Nobody else came by to stare;
you see, they didn't really care.
We can't call the fire brigade -
none of them have been paid
and so the Institute is burning.

Throughout the city, people say it isn't pretty,
everyone agrees, and everyone feels glad;
doctored brains celebrate and everyone waves their chains,
It's a pity they're all mad.

The Institute of Mental Health
spontaneously killed itself.
Ashes to ashes
and dust to dust:
my chains began to rust
as the Institute was burning,
burning,
burning.

Enviem as vossas fotografias etc. para catarina_rogeiro@hotmail.com
Sobretudo, divirtam-se!
Ah, aconselho ouvirem a música...

May 8, 2007

Coisa

Estou a pensar em fazer mais ilustrações de músicas com fotografias e/ou desenhos (ou outras coisas que se lembrem) como a que está no post anterior, recuperado do É Carlos Seixas, Estúpido!, mas desta vez vou pedir ajuda!
Vou escolher nos próximos dias uma música e pedir que tirem fotografias/façam desenhos/outras coisas relacionadas com os versos da música (no sentido literal ou não!) e me enviem o que conseguirem. Depois publico as mais adequadas+engraçadas com a música (e publico as outras aparte). Sei que isto é tipo concurso sem prémio, mas talvez possa arranjar fundos para conseguir prémios para os próximos...!
Amanhã publicarei a primeira música.
Estejam atentos...! :P

Post Recuperado


White Rabbit - Jefferson Airplane
One pill makes you larger
And one pill makes you small
And the ones that Mother gives you

Don't do anything at all
Go ask Alice

When she's ten feet tall

And if you go chasing rabbits

And you know you're going to fall


Tell'em a hookah smoking caterpillar

Has given you the call
Call Alice

When she was just small

When the men on the chessboard
Get up and tell you where to go And you just had some kind of mushroom
And your mind is moving low

Go ask Alice

I think she'll know

When logic and proportion

Have fallen sloppy dead And the White Knight is talking backwards And the Red Queen's "Off with her head!"

Remember what the do(o)rmouse said:

"Feed your head!
Feed your head!
Feed your head!"

May 6, 2007

Oceanos, e outras coisas

Gritei, Não venhas parar às minhas mãos, coisa tecnológica, que ficas estragada.
Mas, às vezes, as coisas tecnológicas, mesmo em sonhos, não me ouvem.

Então, fui tirar fotografias a uma mosca e ela, roçando as patas uma contra a outra, disse-me: "Hmmzzz, não achas que...?"
Deixei cair a máquina ao chão e tapei os ouvidos e cantarolei alto: "Lá lá lá, não te oiço!"
A mosca fez um gesto de desprezo e zumbiu dali p'ra fora.

Como se não me bastassem já aqueles montes fúcsia, resmunguei para mim mesma.

Todo aquele pat on the shoulders irrita-me como milhões de dedos espetados nas costas, nos braços, nos ombros, Olha, olha, olha.
Mas o que é que irrita realmente? O que é que irrita a pele? O que é que incomoda? O que é que torna tudo desconfortável?
Mas eu não sei, ainda que pergunte de vez em quando, ao meu cérebro, ao meu corpo...
Não sei, não sabem.
Dormir, talvez. Mas só se for para sempre.
Este ódio ou qualquer coisa assim por coisas que nem existem (pelo menos por agora) nesta realidade.
Também a falta que me fazes, aqui.
Talvez tudo seja esquecido naquele dia marcado a vermelho no meu calendário.

Às vezes vou ao Porto só para:

- levar com o Sol na cara quando vamos no carro;
- recusar convites para a queima que nos são oferecidos por sermos "um casal engraçado";
- passar horas em centros comerciais sem conseguir comprar uma única coisa que queria comprar;
- comer Dalis e dar-te chantilly;
- ver filmes (ou recusar-me a vê-los) enroscada no sofá;
- fazer trabalhos de grupo completamente desinteressantes (:P);
- em resumo, ser feliz.

May 1, 2007

They say they caught this life from Mars. They say they’ll teach him how we live.
He’s going to learn all rules, they say.

'We’re going to make a man of him'



But, what if he doesn't want to be a man...?


Apr 30, 2007

As canções bonitas não se medem às palavras

Hello sun.
Hello bird.
Hello my lady.
Hello breakfast,
May I buy you again tomorrow?

Grace, Jethro Tull

Ele vem aí...

...e eu estou tão nervosa...!
Não páro quieta.

Apr 29, 2007

Actualizações

O post chamado "post em perpétua actualização" mudou de nome para "Livros: recomendam-se" e contém apenas uma lista de livros que li e gostei. Continua aberto a sugestões e será actualizado (eventualmente).

Existe uma música que pode não ter nada de especial mas é a música que tem o tuturururu melhor de toda a história da música.

Estou a falar de Comrade of the Nine dos Darryl Way's Wolf.

É um tuturururu tuturururu contagiante!

Apr 26, 2007

Eu...

...as people see me nowadays.

O que tenho ouvido nos últimos dias

"Estás triste"
"Estás com um ar abatido"
"Andas cansada"
"Estás de rastos"
"Estás cansadinha, estás, estás"

E o pior é que não sinto que ande a fazer nada de especial para estar assim. Nem tinha reparado que ando com tão mau aspecto assim...
Mas depois de tantos comentários de pessoas diferentes e sem qualquer ligação entre elas, começo a não me sentir lá muito bem...

Apr 25, 2007

Sem imaginação + Bad mood

C'est le Prince d'Orange
Tôt matin s'est levé
Est allé voir son page
"Va seller mon coursier"
Que maudit soit la guerre
"Va seller mon coursier"

Est allé voir son page
"Va seller mon coursier"
Mon beau Prince d'Orange
Où voulez-vous aller?
Que maudit soit la guerre
Où voulez-vous aller?

Mon beau Prince d'Orange
Où voulez-vous aller?
Je veux aller en France
Où le Roi m'a mandé
Que maudit soit la guerre
Où le Roi m'a mandé

Je veux aller en France
Où le Roi m'a mandé
Mis la main sur la bride
Le pied dans l'étrier
Que maudit soit la guerre
Le pied dans l'étrier

Mis la main sur la bride
Le pied dans l'étrier
Je partis sain et sauf
Et j'en revins blessé
Que maudit soit la guerre
Et j'en revins blessé

Je partis sain et sauf
Et j'en revins blessé
De trois grands coups de lance
Qu'un Anglais m'a donné
Que maudit soit la guerre
Qu'un Anglais m'a donné

De trois grands coups de lance
Qu'un Anglais m'a donnés
J'en ai un à l'épaule
Et l'autre à mon côté
Que maudit soit la guerre
Et l'autre à mon côté

J'en ai un à l'épaule
Et l'autre à mon côté
Un autre à la mamelle
On dit que j'en mourrai
Que maudit soit la guerre
On dit que j'en mourrai

Un autre à la mamelle
On dit que j'en mourrai
Le beau Prince d'Orange
Est mort et enterré
Que maudit soit la guerre
Est mort et enterré

Le beau Prince d'Orange
Est mort et enterré
L'ai vu porté en terre
Par quatre cordeliers
Que maudit soit la guerre
Par quatre cordeliers

Le Beau Prince d'Orange, Malicorne

Outro Finalmente


Ando um bocado lenta a abrir os CDs que compro (tipo mais de duas semanas).

Man With No Face?

Em Gouveia...

...também houve isto


E isto


...porque fez uma aparição...

...este senhor.

(que não quer ser fotografado, nem filmado - havia muita tensão naquela sala e as pessoas pareciam ter medo até de respirar - respeitinho é bonito.)

Em Gouveia...

...as pessoas acorreram à Igreja a dar graças...

Apr 17, 2007

17 de Abril

Si lo que quieres es vivir cien años,
no pruebes los licores del placer
Si eres alérgico a los desengaños
olvídate de esa mujer,
compra una máscara antigás,
mantente dentro de la ley,
si lo que quieres es vivir cien años,
haz músculos de cinco a seis.
Y ponte gomina que no te despeine el veintecillo de la libertad,
funda un hogar en el que nunca reine,
más rey que la seguridad.
Evita el humo de los clubs, reduce la velocidad,
si lo que quieres es vivir cien años,
vacúnate contra el azar.
Deja pasar la tentación,
dile a esa chica que no llame más
y si protesta el corazón
en la farmacia puedes preguntar:
¿tienen pastillas para no soñar?

Si quieres ser Matusalén,
vigila tu colesterol,
si tu película es vivir cien años
no lo hagas nunca sincondón,
es peligroso que tu piel desnuda
roce otra piel sin esterilizar,
que no se infiltre el virus de la duda
en tu cama matrimonial.
Y si en tus noches falta sal
para eso está el televisor.
Si lo que quieres es cumplir cien años
No vivas como vivo yo.

Deja pasar la tentación,
dile a esa chica que no llame más
y si protesta el corazón
en la farmacia puedes preguntar:
¿tienen pastillas para no soñar?

Pastillas para no soñar, Joaquín Sabina

Como diria uma mulher qualquer, num canal qualquer, quando lhe perguntaram qual era o segredo da sua idade (agora sem ironia):

"Não me chateio."

Apr 16, 2007

#

Há uma pessoa que diz que este número a persegue :P

foul mood

I was dreaming of the past
And my heart was beating fast
I began to lose control
I began to lose control

I didn't mean to hurt you,
I'm sorry, my head's in a whirl,
I didn't want to hurt you,
I'm just a jealous girl

I was feeling insecure
You might not love me anymore
I was shivering inside
I was shivering inside

I didn't mean to hurt you,
I'm sorry, my head's in a whirl,
Oh no, I didn't want to hurt you,
I'm just a jealous girl

I was trying to catch your eyes,
Thought that you were trying to hide,
I was swallowing my pain,
I was swallowing my pain.

I didn't mean to hurt you,
I'm sorry, my head's in a whirl,
Oh no, I didn't want to hurt you,
I'm just a jealous girl, watch out
I'm just a jealous girl, look out baby
I'm just a jealous girl

Adaptação de Jealous Guy, John Lennon

Apr 15, 2007

Sonhei com uma bala que abria um buraco no vidro do carro, rompia os meus tecidos moles e alojava-se na base do meu cérebro. Eu abria muito os olhos e depois deixava cair a cabeça no teu ombro alarmado e, ainda que não houvesse sangue, tu só vias uma mancha vermelha à tua frente, e gritavas histericamente para ti e, claro, ninguém te podia ouvir.

Apr 14, 2007

Shhh

Perdeste-me o rasto
Não deixei, então,
Aquele cheiro a bafio

Ainda assim
Hoje
Na tua voz certeira
Senti algumas hesitações

Sentiste a minha presença

(e eu calada
a conter, talvez impropérios,
mas não,
provavelmente apenas
uma ponta de ironia)

Sentiste e eu senti
Aquele cheiro outra vez
Pestilento
Velho
Mole

Mas as tuas expressões de menino ferido
no seu orgulho
de menino
inseguro
Eram iguais.
Ou talvez tenha sido
O meu cheiro a envolver-te
Como uma peste.

...

Outros podem não gostar ,
Mas eu gosto,
eu gosto de conflitos.

Apr 13, 2007

Je suis, Tu es, Il é que é


I love you

Yeah right whatever

You are mean

What do you mean?

I mean mean

You said 'I mean' so that makes two of us

Apr 11, 2007

Hoje

Apr 10, 2007

Tempos Modernos

"És gira quando estás a sorrir" (ou no original "Es gira knd tas a sorrir adicioname (email)") - é suposto isto ser um elogio? Há outras maneiras de dizer isto: "o teu sorriso é bonito" é uma que me ocorre assim de repente.

Claro que depois de ouvir amigas chamarem "porca" uma à outra (é suposto ser um termo carinhoso (?)) ou mesmo coisas piores, já nada me espanta.

Imagens

"(...) Por mero acaso, quando verificava umas datas biográficas, consultei a edição de 1994 de Classe Política Portuguesa de Cândido de Azevedo, feita em parte com base nas informações fornecidas pelos próprios e é assim que José Sócrates é apresentado: (...)" in Abrupto

Não sei se sou eu (ou melhor, tenho a certeza que sou eu), mas (JPP) já não sabe ao mesmo. Uma certa... nem sei bem o que lhe chamar. Tenho alguma pena, mas não demasiada.

tábano

Hoje, no metro, uma rapariga sentada à minha frente com um formulário para preencher na mão.

Eu, a coscuvilheira do costume, "Já preenchi este formulário... quando foi? Para que foi?"

Então, a rapariga começou a preencher as casas correspondentes ao nome

C
CA
CAT
CATA
CATAR
CATARI
CATARIN
CATARINA

e foi como se tivesse sido eu a escrevê-lo (outra vez).

(A caneta deixou de escrever e a rapariga arrumou o formulário dentro de uma pasta)

---

Entretanto... o tempo passa demasiado rápido. Algo está mal quando pensas numa coisa que aconteceu em Maio do ano passado como se tivesse acontecido há um mês.
Por outro lado, reencontrar uma colega da 1ª classe e reconhecê-la é bom.

---

Por falar em salud, tive um Verão (terá sido há dois anos? Ou a memória engana-me mais uma vez?) que dava um livro da Agatha Christie, caso tivesse morrido no primeiro ou segundo capítulo. Como sobrevivi...

---

Apetecia-me escrever mais qualquer coisa, mas não sei.

Tenho que fazer qualquer coisa, mas não sei.

Mar 30, 2007

Às vezes apetece...

...cortar o cordão umbilical.
...dar um erro gramatical propositadamente.
...chorar à frente das pessoas.
...pôr a etiqueta da pessoa que segue à nossa frente para dentro da roupa.
...deixar o corpo cair de um precipício abaixo.
...espetarmo-nos num objecto aguçado pelo caminho.
...dizer coisas estúpidas, mesmo que pareçam mal.
...dizer realmente o que estamos a pensar.
...cantar alto no meio da rua.
...cumprimentar toda a gente com quem nos cruzamos.
...gritar com anormais.
...dar murros.
...fugir.
...dormir durante semanas.
...não dormir nunca.
...dar beijos às crianças que vemos na rua.
...dançar em público.
...corrigir alguém que está ao nosso lado a dizer uma enormidade.
...falar com os formadores estrangeiros de tudo o que não tenha a ver com o trabalho, como Monty Python ou "Alcyone"s.
...dizer que não.
...dizer que sim.
...não responder.
...fazer perguntas íntimas a pessoas que se conhecem numa mesa de casamento.

Finalmente.


Há pessoas que gostam genuinamente de dinheiro.

Mar 29, 2007

VVV

Um grego americanizado disse-nos que esta era uma vida de morte, que era impossível criares laços com o que quer que fosse, que tinha, desde há dois anos, uma nova mulher, uma nova família, um novo sítio para passar férias e fins-de-semana - o trabalho.

Olhei-o nos olhos com aquela indiscrição própria das crianças (do not stare at people!) e vi, sim, o mesmo brilho - ou parecido, talvez não tão Thessaloniki-like - mas a desvanecer-se ao longe.

Será que vale a pena? O dinheiro não traz felicidade, dizem, e estes homens realmente não conseguem criar, cultivar ou manter relações, mas... não me pareceram pessoas infelizes. O mais velho era casado (mas com que idade se casou? conhece a própria mulher? tem filhos?), e pareceu-me tão seguro, tão bem com a vida (ainda melhor do que da última vez que o vi há uns meses), que fico na dúvida. Talvez possas ser feliz vivendo para o trabalho, se realmente fores bom no que fazes.

Ainda que hoje mal tenha tido tempo para depois de sair do trabalho engolir a tosta mista com o ucal antes da aula de espanhol às 20h15, tenho muita sorte em poder conhecer todas estas pessoas.

Eu sei que tenho muita sorte em muitas, muitas coisas e tenho a sensação de que não fiz nem metade do que devia ter feito para merecê-lo... Mas espero conseguir mudar isso (em breve).

P.S.: Gosto da palavra caveat que até hoje não sabia como se pronunciava.

Às vezes escrevo para me distrair, para não cair na tentação de fazer coisas piores.

Há vícios que se cortam de raiz.
Assim mesmo, sem piedade.

E eu ontem comprei umas tesouras novas.

Mar 28, 2007

Para ti

Desulpa a minha falta de imaginação
Não te conseguir animar (tanto).
Se pudesse neste exacto segundo abraçava-te e enxotava os bichos para longe.
Espreitava por baixo da cama antes de te ires deitar e ia aconchegar-te
Ler-te uma história
E ser só amor para ti.

Não quero que sofras.

Desculpa as mil vezes em que testo a tua paciência.

Quero ser só amor para ti

Se um estranho te abordar na rua

Puxaste-me os cabelos no cruzamento da Rua Nova de São Mamede com a Rua do Salitre. Eu disse-te, Não, espera um bocado, mas tu sussurraste-me, Estás cansada...

Então deixei cair o meu coração no passeio e tive que me voltar e baixar para apanhá-lo. A rapariga que ia atrás de mim tirou os headphones dos ouvidos e avisou:

- Cuidado, verifique se é o seu.

Virei o coração às avessas, mas no verso não havia etiqueta com o meu nome.

.

Tive um sonho (finjamos que foi há muito tempo) como uma premonição. E era verdade. Ele dizia, Olha que estão a fazer pouco de ti, e eu abanava a cabeça orgulhosa.

- Descola, descola!

Gritou-me uma rapariga de franja demasiado curta e só então percebi que estava agarrada à perna dela e não podia/devia porque as portadas das janelas do meu quarto estavam a bater com o vento (alguém tinha que fechá-las).
Bati com as mãos uma na outra, a limpá-las desse pó pegajoso de um certo egocentrismo-insegurança-infantilidade.

Um certo sentimentalismo com cheiro a mofo, e uma altivez (talvez) nos ditames de menina-dona-do-seu-nariz. Pensei que sim, que não e que não, não era para mim.
Ainda uma certa vitimização, auto-condescendência, que dão arrepios na espinha e eu pensei não, sim, não era para mim.

Mas como numa dança concertada,
essa ponte
esse doce
que se juntam em conspirações alegres
contra uma imagem
de alguma coisa
que talvez não exista sequer...

Eu queria ser livre.

.

Ao subir a rua inclinada, o guizo soava como quem diz: FOGE!
Mas eu, na corda bamba das convenções, um pé depois o outro, não soube o que fazer.
E o guizo,

FOGE!

mas eu, no chá das cinco das sete das oito, sem saber que dedo mindinho espetar (o meu, o dela), ouvi o som ao longe, mas não dei pelo formigueiro em todo o corpo.

Se um cão me atacar e ficar com raiva,
se aquele carro me atropelar,
se aquele pedaço gigante de cimento cair em cima da minha cabeça,
se os risos das pessoas me matarem
vou para o céu (com minúscula).

Uma confiança quase inconsciente-automática em

...mas...

Era como se estivesse a olhar para as ruas, para os prédios, e mesmo para os guardas como se fosse a primeira vez.
Sacudi com uma mão impaciente o rio que olhava para mim através de uma certa névoa, porque não me estava a ajudar
hoje
a ganhar forças para chegar a casa.

Quando chegar, isto, isto e aquilo.

Antes ela dizia: Ai, que caio, quem me acode?
E agora: Anda cá, menina.
E depois: Eu pego as criancinhas p'ra fazer mingau.

Eu: Não sou uma criança!
Ela: Ah ah ah!
E outra: Eh eh eh!
E outra (?): Ih ih ih!
E eu chorei e chorei e ri e chorei e ri

Então, sentada à direita dele...
Mas esperavas alguma espécie de simpatia?
E eu,
enrolei as sílabas na língua,
Sim
PA
ti
aaaa
Sim... sim...
papapapa
Sim-pa
ti . ti . ti . tititititi
a! a! a?

Simpatia - substantivo feminino (feminino! ah ah)
(...)
4. amabilidade; afabilidade
(...)

Mas é difícil deixar crescer uma barreira de sorrisos como quem deixa crescer a barba.
Mas tu, teimosa, sorrisos.
Mas sorrisos não compram
Nem (hein?) elogios compram
Nem nada.

E se um dia te insultarem, cospe-lhes na cara e grita impropérios (ou não)
Se um dia se atirarem para cima de ti com uma faca nos dentes, dá muitos pontapés no ar e acorda.
Se um dia estiveres a saltar de um prédio em chamas respira fundo e conta até dez.

Há um nó na garganta e nem é por isto ou por aquilo, mas simplesmente porque.
Não quero mais dizer que sim e sorrir docemente com a cabeça inclinada para um dos lados,
quero odiar brevemente e depois esquecer.
E afastar com mãos tranquilas tudo o resto.

Mar 26, 2007

Bored.

Mar 25, 2007

Histórias de Ócio II

Durante anos vestiu as calças velhas do irmão mais velho e sujou a cara de terra e correu a brincar com os rapazes. Atava o cabelo num rolo, assobiava com as mãos nos bolsos e era a mais certeira com a fisga.

Até certo dia, em que um dos rapazes do grupo lhe pegou na mão suja e lhe depositou uma rã viscosa dizendo, É para ti. Olhou-o nos olhos e o que viu encheu-a de espanto, mas de medo também, e, por isso, voltou costas e desatou a correr, só parando em casa. Depois de recuperar o fôlego, deixou a rã saltar-lhe das mãos para as terras enlameadas ao pé do lago que via da janela do seu quartoe entrou em casa para se olhar, pela primeira vez, ao espelho.

A partir daí, tudo mudou.

Primeiro, pegou num ramo muito fino caído no chão e com a lama com que antes sujava indiscriminadamente a cara, pintou riscos à volta dos olhos e dos lábios, e subiu a um banco pequeno para ver o resultado no espelho alto da casa-de-banho.

Histórias de Ócio

Desde o seu último aniversário que sentia que a cabeça lhe pregava partidas de criança.
Na penumbra de um quarto quase vazio, apareceu-lhe, certo dia, como numa visão, Lola, com os seus totós infantis caídos simetricamente nos ombros pequenos.

- A tua tia está grávida.

Mas a silhueta feliz, barriguda e familiar, que então apareceu, não era do seu sangue.

- Não é minha tia.

Desde então, as suas noites foram povoadas de sonhos de bebés no ventre de mães incógnitas, barrigas sem corpo, e um sem-número de objectos esféricos do dia-a-dia. Um dia sonhou com uma laranja do tamanho de uma montanha; de outra vez sonhou com um bicho-de-conta que, ao desenrolar-se, explodiu; uma das vezes, chegou a sonhar com um ovo redondo, que se partia para deixar sair um pássaro quadrado, que abria a boca para deixar escapar um elefante minúsculo, sem joelhos.

Um mês depois de ter tido o primeiro dos sonhos "esfeéricos", como gostava de os chamar, encontrou um rapaz muito alto num comboio que talvez tenha existido apenas na sua imaginação. Ele pediu-lhe, sem abrir os lábios, que lhe cantasse uma ária antiga, que lhe soou vagamente a Orfeo e Euridice, mas que não sabia precisar. Ela encostou a cabeça do rapaz contra o seu peito maternal e enrolou-lhe os caracóis castanhos em notas longínquas de um passado feliz. E o rapaz disse, sem nunca abrir os lábios, Sou feliz aqui, não trocava o teu colo pelas minhas brincadeiras de criança.
Depois desse encontro não voltou a ter sonhos "esfeéricos" e infundiu-se-lhe no espírito uma paz ancestral que ela conseguia percorrer quase até ao primeiro de todos os homens.

Passado um ano, voltaram os sonhos recorrentes, mas desta vez de terror. Num deles, matou a tiro um homem com cara de Rottweiler, e sentiu as mãos encherem-se de sangue escuro e reparou que o sangue não era da vítima, mas que era ela que o vomitava e chorou lágrimas de raiva e frustração e arrependimento mesmo antes da cabeça de Rottweiler se tornar na cabeça de um bisavô que nunca chegou a conhecer.

Começaram então as febres altas, os delírios que a levavam a sair em cinta pelas ruas da cidade antiga e a regar as ervas daninhas que teimavam em crescer nas brechas dos passeios. Um dia atirou-se da janela do primeiro andar e partiu uma perna.
Durante a convalescença, chegou ao bairro um médico de meia-idade, sóbrio e barbudo, que se prontificou a ajudar quando soube do raro caso da jovem.
Em duas semanas curou-lhe as febres delirantes e outras febres também, pois afinal de contas o mal da menina era de amor, como já dizia a vizinha ao fim da rua, do alto dos seus 80 anos, que frequentava a casa das Magias das Áfricas, na Camilo Castelo Branco, anunciada na rádio por mulheres e homens de origem duvidosa. "O Mundo está perdido!", ouviam-na gritar, por vezes, em momentos de lucidez, quando se recusava a acreditar que ela própria alguma vez pudesse ter participado em sessões de espiritismo e outros ismos afins. Mas era num transe que seguia o caminho habitual de casa até aquele andar luminoso, no prédio ao lado dos bombeiros, que anunciava o fim de todos os males, e a felicidade eterna.

Mar 22, 2007

Happy, happy... Ah ah ah ah*

Hoje foi um dia de encontros.
Colegas de universidade, antiga professora de espanhol (lembrava-se do meu nome...!), de 4ª classe, ou simplesmente conhecidos...

E pude falar da minha paixão pelos Monty Python dois dias seguidos!

Esta foi uma boa semana. E vai acabar ainda melhor.

*referência a uma cena do Zoolander. Não que tenha alguma coisa a ver com o post.

Sempre disse que tive uma infância feliz.
Mas hoje, ao ver a minha Professora da 4ª classe à minha (nossa) espera de surpresa,
senti-o em todos os meus órgãos vitais.

Mar 21, 2007

Eu tenho um Diário de Sonhos, mas às vezes esqueço-me de escrever nele.

(...) Quando me tocas como se eu fosse alguma coisa preciosa
Como se tivesse algum valor (...)

Tact.

- Posso tirar uma fotografia à mancha azul que tens no meio do lábio inferior por estares praticamente a morrer de frio?
- ...

Mar 19, 2007

Things parents are good for


Encadeia, meu encadeado
Não me aperta a mão que me estala o braço
Encadeia, meu encadeado
Não me aperta a mão que me estala o braço

Encadeia, dá-me um beijinho
Encadeia, dá-me um abraço

Encadeia, meu encadeado
Não me aperta a mão que me estala o braço
Encadeia, meu encadeado
Não me aperta a mão que me estala o braço

...


Querem que ensine a coreografia? :P

(nota: há memória de ter havido, de facto, um braço "estalado" no encadeia...)

Mar 18, 2007

Interlúdio

Hoje vi meninos muito, muito pequeninos a tocar violino como gente grande.
Uma das professoras estava grávida. Tenho a certeza que, com a exposição constante a esta música, o menino (menina?) vai nascer e crescer e tornar-se uma pessoa forte e determinada.

---

As pessoas ouvem o que querem ouvir. E, sobretudo, de quem querem ouvir.
Não te podes sentir magoada (?) por não te terem dado ouvidos quando tu eras (és?) o inimigo e por agora darem ouvidos a outra pessoa, que diz exactamente o mesmo, meses depois de tu teres falado.
Essa susceptibilidade infantil tem que ir. Pela janela fora.

---

Por outro lado...

Eu queria que o Amor estivesse realmente no coração,
e também a Bondade,
e a Sinceridade,
e tudo, e tudo o mais, tudo estivesse realmente no coração.
Então poderia dizer-vos:
"Meus amados irmãos,
falo-vos do coração",
ou então:
"com o coração nas mãos".

Mas o meu coração é como o dos compêndios
Tem duas válvulas (a tricúspide e a mitral)
e os seus compartimentos (duas aurículas e dois ventrículos).
O sangue a circular contrai-os e distende-os
segundo a obrigação das leis dos movimentos.

Por vezes acontece
ver-se um homem, sem querer, com os lábios apertados,
e uma lâmina baça e agreste, que endurece a luz dos olhos em bisel cortados.
Parece então que o coração estremece.
Mas não.
Sabe-se, e muito bem, com fundamento prático,
que esse vento que sopra e que ateia os incêndios,
é coisa do simpático.
Vem tudo nos compêndios.

Então, meninos!
Vamos à lição!
Em quantas partes se divide o coração?

Poema do Coração, António Gedeão

---

O sítio que desejas (por capricho de criança mimada), it's a lonely place to be.

Viver é isso e basta.

Mar 17, 2007

Livros: recomendam-se

post editado

Com tempo e paciência vou actualizando esta lista. Entretanto, se se lembrarem de algum livro que tenham gostado e que ainda não esteja aqui, comentem.
Até já e boas leituras.

1. The Lord of the Rings: Fellowship of the Ring (J.R.R. Tolkien)
2. The Lord of the Rings: The Return of the King
3. The Lord of the Rings: Two Towers (J.R.R. Tolkien)
4. The Hobbit (J.R.R. Tolkien)
5. Little Women (Louisa May Alcott)
6. Life of Pi (Yann Martel)
7. 1984 (George Orwell)
8. Le Petit Prince (Antoine de Saint-Exupery)
9. El Amor En Tiempos De Cólera (Gabriel Garcia Marquez)
10. The Three Stigmata of Palmer Eldricth (Philip K. Dick)
11. The Man Who Japed (Philip K. Dick)
12. Ubik, (Philip K. Dick)
13. Flow My Tears, The Policeman Said (Philip K. Dick)
14. The Transmigration Of Timothy Archer (Philip K. Dick)
15. Simulacra, (Philip K. Dick)
16. The Patriot (Pearl S. Buck)
17. The Hidden Flower (Pearl S. Buck)
18. The Three Daughters Of Madame Liang (Pearl S. Buck)
19. The Picture Of Dorian Gray (Oscar Wilde)



Family Ties

- O que é que estás a fazer?
- Bem... Uma coisa que nos vai fazer ricos...

Through The Looking Glass


And What Alice Found There.

Mar 16, 2007

Mima-te.



Pormenores





Mar 14, 2007

:/ Grrr! Ugh!

Coisas que me põem triste/me revoltam/me repugnam:

Plágio descarado: Este blog não contém uma única ideia original- é uma sucessão de cópias descaradas de textos deste outro blog (muito bom).

Há coisas que não se percebem.

Substantivos Abstractos

Ando nas pontas dos pés para não ferir os teus calos
Sensíveis.
E as tuas mãos pequenas já não chegam
.Leio para lá das linhas
Sensíveis
Do teu pensamento; uma espécie de terminais nervosos
Sensíveis
Ao batimento do teu coração.
Não penses duas vezes porque é verdade que a
Sensibilidade
Está na ponta dos dedos.

-----

Os teus gestos de menina
Arrogante
São mais que snobismo e distância.
Tu queres beber essa chávena de chá
Arrogante
Mas não sabes dizer o sabor.
Ele sabe.
Sobrevoo esse mar negro da tua
Arrogância
Não quero tornar-me em alguém como tu.
E todos sabemos que a
Arrogância
É contagiosa.

----

As tuas mãos cansadas estão
Frias
E não podes aquecê-las entre as pernas.
Num dia de Inverno, chuvoso e
Frio,
Procuraste dentro de ti qualquer coisa diferente
Mas dentro de ti apenas
Frieza
E os raios de Sol derretem-se contra a tua
Frieza
Mas é a tua
Frieza
Que te faz viver.

----

Os gritos estridentes dos teus argumentos
Ciumentos
Desfazem-se no ar gelado/barreira de aço
Não vale a pena mostrares essa cara
Ciumenta
Porque não (co)moves corações assim
Se deitasses ácido na pele de mulher
Ciumenta
Farias melhor.
Porque todos sabem que o
Ciúme
É mais corrosivo que o mais forte dos ácidos.

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Palavras-punhais que atiras de olhos fechados
Intransigentes
Não acertam por milímetros na carne do Homem
Não brinques com palavras, pseudo-argumentos
Intransigentes
É melhor seres livre e relaxares os músculos dos filtros morais
Bem sabes que a
Intransigência
Cega, mata.

Mar 7, 2007

Post que passou por vários moods

Quando era pequenina e o mundo
Se desfolhava em gestos lentos perante os meus olhos pasmados
Eu era
Qualquer coisa verdadeira
E única.

Hoje,
Desfolho-me eu em gestos tristes
E o mundo já não se dá
(E não podes roubar o que não se dá)
E já não sou qualquer coisa
natural
(e não podes forçar a naturalidade)
E respirar custa aos pulmões cansados.

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Quando acordar, quero que seja sempre Primavera e
7 dias por ano de Inverno rigoroso, com direito a casa aquecida
lareira
chocolate quente
e alguns dias de Verão
com MAR

Quero ver
crianças felizes
pessoas felizes
coisas bonitas no meu caminho

Quero fazer
coisas grandes
úteis
bonitas

Quero ajudar

Quero dar

Quero tornar o mundo um sítio agradável
para ti
e para todos
(mas sobretudo para ti)

Isto:


É diferente disto:


É estranho como muitas vezes não conhecemos aquilo que conhecemos tão bem.





Mar 4, 2007

Weird Princesses II


Weird Princesses I